EM MEMORIA DE SANDRO BARRETO GUIMARÃES

✩15/09/1967 ✞14/02/2021

Artigo - O mesmo lado de uma história feliz

"O sonho do menino pobre em Trindade se tornou realidade não somente pela ajuda do professor Marcos, mas, também, pelo sistema de cotas sociais e raciais em universidades públicas, estabelecido no Governo do PT", aponta em artigo o deputado federal José Airton Cirilo

15:35 | 03 de janeiro de 2021

Acompanhei esses dias a história do doutor Wallace Pinheiro, médico em Goiás que salvou a vida do paciente Marcos Araújo, professor de cursinho que ajudou o então estudante na preparação ao vestibular de Medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG), no ano de 2012. O jovem, que sempre estudou no Colégio Estadual Senador Theotônio Villela, no município de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, a 16 quilômetros da Capital, havia sido recusado em vários cursos preparatórios ao Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, até ser acolhido pelo professor Marcos, que não negou para Wallace uma bolsa integral.

Quase 10 anos depois, os dois voltaram a se encontrar. Doutor Wallace com o sonhado jaleco e o professor Marcos quase irreconhecível, diante da intubação pelo tratamento da covid-19.

Ao descobrir a identidade do paciente, o médico se dedicou quase que integralmente à recuperação do professor, incluindo as orações.

A história com final feliz não apresenta um outro lado, mas um mesmo lado, igualmente feliz. O sonho do menino pobre em Trindade se tornou realidade não somente pela ajuda do professor Marcos, mas, também, pelo sistema de cotas sociais e raciais em universidades públicas, estabelecido no Governo do PT, pelo então presidente Lula, e transformado em lei, também em Governo do PT, pela então presidenta Dilma.

Naquele ano, 330 candidatos entraram na UFG por meio das cotas para estudantes oriundos do ensino médio público, além de 187 negros de escolas públicas, cinco indígenas e oito quilombolas.

Também em 2012, a UFG ficou marcada pela aprovação em Geografia de Kallil Assis Tavares, o primeiro estudante com Síndrome de Down a ingressar em um curso superior em uma universidade pública gratuita.

Não há informação se o candidato ingressou na UFG por meio do sistema de cotas, mas esse também final feliz é comemorado, sim, pelo PT, pois a política de acesso à universidade nos governos Lula e Dilma ampliou o número de municípios com instituições federais de ensino superior, de 114 para 237, um aumento em 108%.

Isso inclui o campus de Jataí, município no sudoeste de Goiás, a 327 quilômetros de Goiânia. As novas instalações, três anos antes da chegada do hoje graduado Kallil, permitiram novos cursos e a ampliação no número de matrículas em 1,5 mil ao ano.
Muitas são as histórias com finais felizes que podem ser contadas atualmente por professores, médicos, advogados, dentistas, engenheiros, jornalistas, administradores, enfermeiros e demais profissionais de nível superior. Mas todas terão em comum um mesmo lado, um lado igualmente feliz...

José Airton Cirilo é deputado federal (PT-CE), advogado e engenheiro civil

O POVO 
Caderno Opinião 
Colunista Eliomar de Lima

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