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Informação do dia 02.07.2020 (Quinta-feira) para familiares e amigos sobre estado de saúde e primeira visita dos pais junto ao leito da filha Penélope Domitila de Medeiros Crispiniano que está há 39 dias internada no hospital IJF em Fortaleza/CE

Boa noite a todos (as).

Prezados (as)

Primeiramente, pedimos desculpas pela demora, além do normal. Mas hoje temos muito a relatar.

Hoje é um DIA ESPECIAL, porque conseguimos fazer a PRIMEIRA VISITA AO LEITO DA UTI ONDE PENÉLOPE SE ENCONTRA, NO INSTITUTO Dr. JOSÉ FROTA (Fortaleza). 

Na INFORMAÇÃO de ontem anunciei que eu e Lúcia (mãe), teríamos uma REUNIÃO PRESENCIAL com a equipe que está cuidando dela no Instituto Dr. José Frota, em Fortaleza.

Havia também a previsão de podermos fazer a visita presencial à UTI, mas preferimos esperar pelos acontecimentos evitando qualquer frustração em caso de alteração no que estava agendado.

A reunião aconteceu a partir das 9:30, com uma Médica e uma Assistente Social, de uma equipe chamada de EQUIPE DE CUIDADOS PALIATIVOS, que cuida das providências relativas a pacientes de UTI.

Prevista para ser somente comigo (pai) e Lúcia (Mãe), também conseguimos incluir a presença de Gabriela Gabriel (prima), que já trabalhou em hospital e é casada com um médico, para que ela fizesse anotações e nos ajudasse no diálogo.

Por ser a PRIMEIRA VISITA em 39 dias, a nossa expectativa era, naturalmente muito grande.

A reunião foi longa. A médica resgatou detalhes do acidente e do tratamento, desde a ocasião do evento, em 24 de maio próximo passado, logo após as cinco da manhã daquele domingo.

A médica ressaltou a gravidade do acidente, como todos já sabem, destacando que houve muito sangramento em toda a cabeça/parte interna, contusão cerebral (movimentação do cérebro devido ao impacto), muito inchaço (efeito massa); Que houve uma parada e foi realizada uma reanimação volêmica (com soro) no local do acidente, feita pela equipe do SAMU; Trauma torácico muito forte (arcos costais 1 ao 11 e clavícula fraturados e perfuração do pulmão); Que a hemorragia foi muito ampla, com o sangramento cobrindo todas as áreas do cérebro; Que ela chegou no IJF – Instituto José Frota com o cérebro muito inchado e que a perfuração no pulmão representava um perigo especial; Que ao chegar ao hospital foi realizada uma Tomografia Computadorizada que constatou a gravidade da situação, mas o Neurocirurgião que a atendeu não indicou necessidade de CIRURGIA. Indicação esta que se repetiu diante das outras Tomografias realizadas ao longo do tratamento.

A médica fez várias perguntas sobre a vida pessoal, familiar e profissional de Penélope, bem como sobre as circunstâncias que levaram ao acidente, tendo recebido todas as informações para compor um quadro mais claro sobre a paciente e o contexto que a levou ao trauma;
Verificou o histórico da paciente no computador do hospital, lendo partes dos boletins médicos, destacando que ela já recebeu três visitas do neurocirurgião que vem sempre descartando a necessidade de intervenção cirúrgica.  

Destacou que a paciente até hoje nunca acordou, não interage, nem obedece a comandos, como temos destacado aqui nestas informações, exceto uma vez que ela abriu os olhos ou ouvir o próprio nome.

Reiterou o que estamos informando aqui sobre o respirador mecânico. Que já foi retirado algumas vezes, mas diante do desconforto causado, a equipe vem preferindo baixar os parâmetros, mas não desmamar totalmente, até que o pulmão possa ter autonomia.

A médica destacou que DO ACIDENTE EM SI, pode se considerar que ela JÁ SOBREVIVEU e que os riscos agora dizem respeito à possibilidade de INFECÇÃO HOSPITALAR, que existe em todas as partes do mundo, mesmo onde a Medicina é mais avançada. Daí a nossa constante preocupação com a BACTÉRIA que atinge seu pulmão. 

Perguntei sobre a possibilidade de existir algum medicamente que não esteja disponível no hospital ou na rede municipal de saúde de Fortaleza e que pudéssemos providenciar. Ela disse que não era necessário, que a rede dispõe dos medicamentos e que vem sendo ministrado o que há de melhor, mas que a bactéria é MULTISSENSÍVEL e que essa guerra tem que sr feita passo a passo acompanhando-se com atenção todas as mudanças de comportamento do micróbio.

Perguntamos sobre os efeitos colaterais do uso de antibióticos fortes como os que estão sendo administrados e constatamos o que já imaginávamos que ao vencermos a bactéria teremos outros agravantes resolvidos. 

Esperamos em Deus e na Medicina que haveremos de vencer. Reiteramos a total satisfação da família quanto ao tratamento que vem sendo dado a Penélope no Instituo Dr. José Frota. Tudo pelo SUS e, sinceramente, não cremos que o dinheiro comprar mais atenção, competência e carinho do que ela vem recebendo. 

Sobre possíveis sequelas, constatamos que elas deverão ficar, não se sabe em que grau. A médica foi muito realista, desenhando os diversos cenários possíveis, inclusive os mais indesejáveis, porém possíveis, como “ficar acamada por tempo indeterminado”, “traqueostomizada”, como já se encontra, podendo chegar até a Gastrostomia, que é a alimentação parenteral via sonda no abdômen para diminuir o risco de infecções, desconforto e de rebaixamento da imunidade, caso esta dependência se arraste por muito tempo. 

Quanto a estas preocupações, mesmo sabendo que não podem ser desprezadas, ficamos bem mais leves depois da visita à UTI. Crença de pais, claro, mas melhorou muito nosso astral e nossas convicções, como relataremos mais adiante.

Sobre o tempo de internação e a preocupação com a DESOSPITALIZAÇÃO, fomos esclarecidos da necessidade de saída da UTI quando ela superar a dependência do respirador, podendo continuar em enfermaria, e, numa etapa posterior, em tratamento domiciliar. A preocupação é com infecções no ambiente hospitalar. Mas não há nada definido, no momento, no que diz respeito a prazos para estas decisões;

Quanto ela puder sair da UTI, poderá ser transferida de imediato para a enfermaria e ficar na Unidade 16. Nessa unidade deverá ficar apenas para concluir algum possível tratamento e iniciar a desospitalização. Naquela unidade ela deverá o acompanhamento do NADS que orienta como cuidar da paciente e sua higienização. Nesta situação terá que contar com acompanhante 24 horas; 

VISITA À UTI.

A previsão era da entrada somente de um dos pais. Havíamos decidido que seria eu a entrar. Mas no diálogo travado durante a reunião conseguimos autorização para entrarmos os dois (pai e mãe) alternadamente, acompanhado da médica. Gabriela foi autorizada a presenciar a visita por uma janela de vidro.

Foi proibido o uso de celular ou qualquer outro aparelho na proximidade da paciente. Realmente não nos interessava muito fazer fotos ou vídeos, mas lamentamos não poder rodar para ela ouvir mensagens dos filhos.

Entrei, a encontrei de olhos fechados, serena, sem qualquer deformação no rosto e na cabeça, um pouco mais morena, provavelmente pelo efeito dos antibióticos. Cabelo cortado, mas não muito, deitada, mas com a cabeça e o tórax um tanto elevados pelo encosto da cabeça que se encontrava num ângulo de aproximadamente 45 graus, permitindo que olhássemos seu rosto, de frente.

Anunciei minha presença, chamei-a pelo nome, identifiquei-me como pai e ela ABRIU OS OLHOS. Aos poucos, incialmente, mas depois conseguiu abrir totalmente. Sei que ela não me via, mas tinha consciência da minha presença. Me afastei um pouco para o lado, testando se ela atenderia ao meu comando de girar os olhos, num esforço de tentar me ver. E ela INTERAGIU. Seus olhos me procuraram. Voltei para mais próximo do leito e conversei. Notei uma tentativa, mesmo que remota de balbuciar alguma palavra (impossível pela traqueostomia, mas valeu o gesto) Gabriela que olhava da vidraça confirma que ele mexeu os lábios, muito de leve. Senti a face dela se contrair como que querendo chorar, verifiquei, mas não constatei lágrimas, pois estava fazendo um esforço imenso para conter as minhas e superar o nó na garganta, pois sabia que ela precisava me ouvir. E eu precisava transmitir firmeza, por mais difícil que fosse.

A médica perguntou se eu queria pegar na mão dela. Respondi que sim e ela me ofereceu uma luva. PEGUEI NA MÃO E SENTI VIDA, mesmo que não ela não tenha feito movimento. Acariciei-lhe o braço, falei dos filhos, dos irmãos, da família dos amigos, dos colegas de trabalho, alisei-lhe o rosto e senti emoção da parte dela. Falei mais, tudo o que me veio à mente, principalmente da necessidade de ela voltar para a família, para o trabalho, para os seus alunos especiais, pois ela psicopedagoga, para os amigos... Falei das centenas de pessoas que stão orando pela sua recuperação. E chegou o meu tempo. Saí e me voltei mais de uma vez, contatando que ela mantinha os olhos abertos como que querendo me ver na despedida. 

Lúcia entrou e conversou bastante. Quando se identificou, dizendo que a quer de volta e que vai cuidar dela, sentiu, também, a tentativa de balbuciar algo, perguntando à médica se era costumeiro ela fazer aquilo, a médica disse que não, mas que poderia ser um movimento forçado a secreção do pulmão. Lúcia acha que foi mesmo uma tentativa, mesmo que inconsciente, de falar... Com todo respeito pela competência da médica, não podemos deixar de ouvir o coração de mãe em ação. E na conversa unilateral que se seguiu, Lúcia constatou uma lágrima num dos olhos dela. Isto nos causou forte emoção, quando ela saiu empolgada, pois da janela de vidro onde eu já me encontrava com Gabriela, não deu para ver a lágrima, mas sentimos perfeitamente um clima de comunicação e de interação entre mãe e filha.
Nunca pensei que uma lágrima pudesse nos trazer tanta felicidade.
Lúcia saiu muito empolgada e, juntos saímos com a convicção de que, mesmo com as previsões tecnicamente preocupantes da médica (natural no papel dela de não vender ilusões), saímos (eu, Lúcia e Gabriela) CHEIOS DE CONVICÇÃO DE QUE PENÉLOPE VAI VENCER e voltará com todo o encantamento que sempre conduziu consigo, para ser feliz e nos trazer a felicidade de volta.

Portanto, amigos (as), permanecemos cada vez mais firmes na nossa caminhada e cada vez mais convictos do acerto quanto aos três pilares que sustentam a nossa luta:

1. DEUS NO COMANDO;
2. CONFIANÇA NA EQUIPE DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE;
3. ESPERANÇA NA REAÇÃO POSITIVA DO ORGANISMO.

Que continuem Todos (as) na mesma batalha da fé, em suas orações e vibrações. Também têm nos ajudado muito a manter acesa a chama da esperança, os muitos exemplos que nos chegam diariamente de pessoas que estiveram em situações equivalentes ou até mais difíceis e que venceram;

Gratidão e abraços a todos (as)

Crispiniano Neto
(Pai de Penélope Crispiniano)

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