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Dos 337 abalos sísmicos registrados no Estado em 2020, somente 15 não aconteceram em Palhano, na região jaguaribana. O caso mais recente foi de 1.8 grau na Escala Richter
18:10 | 08/05/2020
  
Palhano, cidade da região do Baixo Jaguaribe a 158 km de Fortaleza, com cerca de 10 mil habitantes, está atualmente com uma singularidade dentro do território cearense. Na manhã desta sexta-feira, dia 8, às 7h14min, o Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN) registrou mais um tremor de terra considerado de baixa magnitude no município: 1.8 grau na escala Richter.

O peculiar da história é que esta já foi a 322ª ocorrência no mapa do município anotado pelos aparelhos de monitoramento ligados à Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). Como comparativo, em todo o Ceará aconteceram somente mais 15 outros sismos em todo o Estado em 2020.

Essa grande sequência de abalos sísmicos no ano nem sequer estaria sendo notada no município, conforme relato do coordenador local da Defesa Civil, Otávio Simão Neto. Portanto, sem danos estruturais apontados. No dia 27 de abril, um outro equivalente, de 1.6 grau, também teria passado despercebido para a população de Palhano.

"Não houve comentário nenhum a respeito (sobre o de hoje). Tenho recebido os relatórios. Quando o pessoal sente mesmo, sempre fala. Teve um em novembro que foi percebido, mas desses outros ninguém tem falado nada", informa Neto. O caso de novembro a que ele se refere chegou a 2.4 graus, às 12h42min do dia 3. Naquela mesma data foram apontadas pelo menos dez vibrações, uma outra delas às 12h33min com 2.3 graus.

O sismo desta sexta-feira, dia 8, o de número 322 na cidade, aconteceu na localidade Almas, a cerca de 8 km da sede municipal. Na comunidade, próxima à BR-116, ao lado da fazenda Marmouthier, residem cerca de 50 famílias. O tremor em Palhano chegou a ser captado por várias estações conectadas à Rede Sismográfica do Nordeste (RSisne). Foi muito rápido, durou dois segundos.

Eduardo Menezes, geofísico do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN), que monitora tremores no Ceará

Foi o único caso do dia, até o final da manhã, segundo o geofísico Eduardo Menezes, do LabSis-UFRN. "É uma região que está sismicamente ativa. Existe uma falha geológica que está em processo de acomodação. É um fenômeno que ocorre naturalmente, mas numa escala de tempo que pode demorar centenas ou milhares de anos", descreve.

Ele confirma que ainda é impossível prever qual será o momento de um novo tremor e se será menos ou mais intenso. Não há equipamento em nenhum lugar do mundo para detectar isso. A estação sismográfica de Palhano foi instalada no fim de 2019.

Há mais nove estações capturando as vibrações no solo. São seis fixas (Palhano,Cascavel, Morrinhos, Sobral, Pedra Branca e Mauriti) e quatro temporárias (Icapuí, Morada Nova, Caucaia e Barbalha). O registro é em tempo real.

Outras regiões do Estado, informa Menezes, também estão com atividades sísmicas sendo detectadas pela aparelhagem. "As regiões de Sobral, Palhano, Cascavel, Irauçuba, Quixeramobim, Santana do Acaraú, Hidrolândia, Massapê, Paramoti e Granja são áreas que sempre temos recorrência de tremores, consideradas sismicamentes ativas", aponta o geofísico.

Ontem, dia 7, um tremor de 1.6 grau foi anotado em Sobral, às 14h18min. Foi a quinta ocorrência do ano na cidade da Região Norte, a maior delas. As demais cidades também tiveram casos abaixo de 2 graus de magnitude. "Todas continuam tremendo. Todo dia aparece alguma coisa (nos sensores)". Cada região, segundo Menezes, se diferencia, o que torna as falhas distintas.

Em 2020, o tremor de maior intensidade no Estado aconteceu em Quixeramobim, com 2.5 graus. Foi às 10h16min do último domingo, dia 3. A cidade, no Sertão Central já teve cinco episódios este ano. Chegou a ter mais de 1.200 casos no ano passado - um com 3.2 graus, dia 25 de julho. "A região de Quixeramobim permaneceu em atividade intensa por cerca de oito meses (em 2019)", destaca.

O POVO

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