CE: Internas produzem 11 mil máscaras para evitar contágio de covid-19 no sistema penitenciário

Seg, 4/5/2020 - Foto: Divulgação/Gov do Ceará
Material para confeccionar equipamentos de proteção foi doado pelo SENAI e pela FIEC; máscaras serão usadas em 17 unidades prisionais e 13 cadeias públicas

Repórter Daniel Marques Departamento de publicação: 16 de Abril de 2020, 03:46h

Seis internas do Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa, na região metropolitana de Fortaleza, trabalham, desde o início do mês, para produzir 11 mil máscaras de proteção. Os materiais confeccionados serão destinados para uso interno do sistema penitenciário do estado, que conta com 17 unidades prisionais e 13 cadeias públicas. 

Esses itens, essenciais nesse período de pandemia de covid-19, são feitos de TNT e produzidos por alunas certificadas pelo SENAI nos cursos de corte e costura, oferecidos na unidade por meio do projeto “Sou Capaz”. Todo o material necessário para a fabricação das máscaras, como rolos de TNT, linha, clipe nasal e elásticos, foram doados pela instituição à Secretaria da Administração Penitenciária. 

“Nós levamos toda a matéria-prima para elas confeccionarem as máscaras. Isso será feito pelas detentas dos cursos que a gente administrou no SENAI. Fizemos o treinamento e capacitação, elas são preparadas para fazer isso”, explica o diretor regional do SENAI, Paulo André Holanda. Segundo ele, quatro mil internos foram qualificados apenas em 2019, em parceria com o governo do estado.

Para o secretário da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque, o apoio do SENAI e da Federação das Indústrias (FIEC) nessa ação contribui para evitar que a população carcerária e os profissionais da segurança pública tenham contato com o coronavírus. 

“A fabricação de máscaras para o combate de covid-19 é fundamental, assim como a parceria com a FIEC, que tem nos apoiado bastante com seu trabalho social. Nós adotamos dentro do sistema prisional uso de máscara para todos os agentes, advogados, servidores, visitantes, justamente para não ter risco de contaminação”, garante Albuquerque.

“Estamos fazendo de tudo para trabalhar higienização, triagem com equipes de saúde e observação e isolamento de setores para não acontecer a entrada do vírus dentro do sistema penitenciário”, completa ele.  

Paralelamente a essa ação, o SENAI está na linha de frente na produção de outros equipamentos de proteção. Na unidade de Maracanaú, a instituição produz e vai doar 30 mil máscaras de acetato do tipo “face shield”, que cobre boa parte do rosto e utiliza uma camada plástica semelhante à viseira de um capacete. Esse material é mais resistente e as placas de acetato são produzidas em impressoras 3D e, posteriormente, cortadas e montadas. A partir de um molde, é possível fabricar até três mil unidades por dia. 

No SENAI Parangaba, instrutores e alunos fazem trabalho semelhante e pretendem produzir três mil aventais e 30 mil máscaras de TNT, materiais que serão doados para a Secretaria Estadual de Saúde.

Já o SENAI Jacarecanga teve três salas transformadas em centrais de manutenção de respiradores mecânicos, equipamentos escassos no mercado e necessários para tratar pacientes com sintomas graves de covid-19. A unidade é um dos 35 pontos espalhados pelo país que fazem parte da iniciativa + Manutenção de Respiradores, parceria feita pelo SENAI e dez multinacionais. 

“Temos uma equipe multidisciplinar composta por engenheiros clínicos, pneumologistas, médicos intensivistas, fisioterapeutas e técnicos do SENAI, que atuam nessas áreas da eletrônica, mecânica, mecatrônica, hidráulica e pneumática”, explica Paulo André Holanda, diretor regional do SENAI. 26 aparelhos mecânicos desse tipo foram coletados e já estão sendo consertados para, em seguida, serem devolvidos ao sistema de saúde.

A ação nacional, que é gratuita e se estende a outros 18 estados, pode recuperar cerca de 3,6 mil ventiladores pulmonares que estão fora de operação no Brasil, seja porque foram descartados ou têm necessidade de manutenção. A estimativa é que cada ventilador recuperado poderá atender até dez pessoas. Os dados são da LifesHub Analytics e da Associação Catarinense de Medicina (ACM).

Agência do Rádio

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