Editorial: Fiquem em casa

Por Redação DN, 23:00 / 20 de Março de 2020
Duas imagens antagônicas repercutiram, na quinta-feira, em todos os meios e plataformas de comunicação. A primeira, da praia em Fortaleza, cheia de banhistas, como se fosse um típico feriado de Sol. O elemento estranho da imagem é a dupla de profissionais do Corpo de Bombeiros, com máscaras protetoras, alertando a população dos riscos de se expor, desnecessariamente, numa pandemia. A outra imagem - na verdade, uma série - funciona como resposta à primeira. São equipes médicas segurando cartazes com um apelo: "Nós estamos aqui por você. Por favor, fiquem em casa por nós".

O que dizem os cartazes faz eco ao decreto publicado pelo Governo do Estado, determinando o fechamento ao público de bares, lanchonetes, restaurantes, barracas de praia, shopping centers, salas de espetáculos, cinemas, templos religiosos e qualquer outro estabelecimento comercial não essencial. A medida cobre todo o Ceará, por 10 dias. Até segunda ordem, só no dia 29 estes locais voltam a operar de forma regular.

O decreto também instituiu o bloqueio sanitário das divisas do Ceará com os estados vizinhos e a redução de transporte intermunicipal. São medidas extremas, decerto, mas respondem à altura a um problema grave, que se manifesta em escala global e, por ora, ainda está longe de ter um fim.

Há avanços contundentes nos países asiáticos no enfrentamento à pandemia. Estes territórios foram os primeiros a enfrentar a ameaça do Covid-19, sendo a China aquele que registrou o maior número de casos e que figura como o segundo em mortes causadas pela doença. A contenção do contágio, em todos estes lugares, passou por medidas firmes de restrição à circulação da população, pelo fechamento de fronteiras e pela adoção de medidas sanitárias por parte de seus cidadãos.

Nada pode estar mais distante da leveza de um feriado do que a crise que o mundo enfrenta. Quem se expõe não se arrisca sozinho, pois pode servir de vetor para a transmissão do vírus, potencialmente letal, em especial para grupos de risco como idosos e pacientes de comorbidades. A preocupação das autoridades de todo o mundo não é tão somente com os riscos associados à Covid-19, mas também à sobrecarga dos serviços de saúde. Quanto menor for o número de casos da nova doença, mais chances se terá de que os enfermos deste e de outros males sejam tratados de forma adequada, aumentando as suas perspectivas de recuperação.

O apelo feito pelas equipes médicas representa, também, o anseio de outras categorias. Seguirão em funcionamento regular apenas os estabelecimentos fundamentais para o abastecimento da população ou atendimento de serviços essenciais, como suprimento de gás, combustíveis e energia. É preciso ter responsabilidade para com os profissionais que desempenharão suas funções em tempos de crise, honrando assim seu esforço pelo bem comum.

Fiquem em casa. Esse é o apelo que se faz a todos aqueles que podem praticar o isolamento social, sendo capazes de suspender suas atividades ou executá-las, remotamente, de suas residências. A medida é enérgica, mas simples, ao alcance de muitos. É também eficiente e necessária para conter o avanço de uma doença que ameaça a todos.

Jornal Diário do Nordeste

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