Bloco de Chico Zé de Joana Completa 70 ANOS em Jaguaruana terra da Rede.



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A cidade ainda se chamava "União". Não sei ao certo quando começaram os festejos carnavalescos na minha terra, mas busquei em prosas, conversas nas calçadas e arquivos pessoais e descobri que, por volta de 1928 no século XX, o Senhor João Coelho ensinava as pessoas a desfilarem para saírem em um bloco posteriormente chamado "Papagaio da Cana Verde". Talvez um dos primeiros nomes de blocos a surgir em Jaguaruana. A festa era mais conhecida como baile e acontecia nos galpões das fábricas de redes. No mesmo ano de 1928, houve um grande desfile na fábrica do Senhor José Jaguaribe. O desfile teve como noiva a jovem Raimunda Nunes Sombra que conduzia o estandarte ao som do frevo jamais esquecido, tocado por João, na rabeca, e Pintado, na sanfona. Os foliões brincavam como se fosse uma quadrilha, enfeitados com várias cores, em fantasias feitas à mão. Nesse mesmo período, o industrial José Maurício Moreira e sua esposa, Dona Julita, também investiram no Baile de Carnaval nos salões de sua indústria, onde formou-se um bloco que se chamaria "Bloco Jangada". Já os coronéis e pessoas abastadas comemoravam o Carnaval no Centro Administrativo ou Prefeitura. Era um verdadeiro baile da sociedade. 

         Em 1950, os bailes carnavalescos passaram a acontecer na residência do comerciante Sr. Chico Zé da Joana, localizada na Av. Antônio José de Freitas. Chico começou a organizar o Bloco do Povo e a alegrar os dias de Carnaval na Terra da Rede. O bloco começou a sair pelas principais ruas da cidade. Não sabíamos como Chico conseguia colocar tantas pessoas na rua e como fazia para confeccionar as blusas e entregá-las a cada participante. Eram camisas com um chitão bem colorido. Chico saia com uma calça branca com fitas vermelhas na lateral. No bloco surgiram uns figurantes que se vestiam de cetim preto, lenço no rosto, botas e chapéus pretos, que todos chamavam de "Zorro". As pessoas fantasiadas eram: Zé Augusto, filho de Chico; Mazé do Luiz da Bela; Dagoberto do Juarez Delfino e Zerino, filho do marchante Zé Augustinho. A jovem Aurinha, filha do Chico, sempre saia na frente do bloco, se destacando juntamente Leninha e Arialda. Também participavam os demais filhos de Chico: Chiquinho, Aldenor, Tampinha e Zé Augusto. Chico sempre gostou de se destacar no bloco que ele mesmo criou e passou a se vestir de cetim nas cores verde e vermelho, uma capa vermelha, cartola e um óculos com um nariz de plástico. Ficava muito parecido com apresentador "Chacrinha". Entre todas as mulheres participantes, surgiu a rainha do bloco, Dona Anunciata, sempre disposta e transbordando alegria para todos os foliões, não somente no bloco, mas onde ela passava e tivesse brincadeira, ela estava pronta. Anunciata se apresentava no bloco com vestidos bem coloridos com brilho fortes que ofuscavam os olhares de todos. Algumas residências do centro da cidade começaram a abrir suas portas para receber os brincantes principais que faziam parte do bloco: a residência de Francisco Jaguaribe, Chico do Zé de Lucas e outras famílias ilustres e abastadas, que moravam na Avenida Simões de Góis. Eram ofertados aos foliões sucos e bolos. O bloco fazia os agradecimentos do acolhimento cantando a canção " Bandeira Branca". Assim, o Bloco do Povo tornava-se a tradição carnavalesca em Jaguaruana. Todas as pessoas queriam participar e se divertir no bloco. Chico, admirador e contente com o sucesso, construiu o "Salão do Povo", no fundo da sua residência, e passou a oferecer melhor comodidade a todos os foliões. 

      Com o tempo, foram surgindo outros blocos na cidade. Os ensaios do Bloco dos Cacetinhos aconteciam nos antigos quartos da Feira Velha e o responsável era o Senhor Bizuca. Nesse bloco, os brincantes iam dançando em movimentos para um lado e para o outro batendo os cacetinhos até extrair o som do mesmo. Houve, também, um bloco da Ponta da Rua, chamado assim pois saia, precisamente, no final da Av. Simões de Góis. Esse bloco era muito bem organizado e todos participavam com uma cartola preta. Quem chamava muito a atenção, em destaque entre todos, era o Dr. Lustosa. Outros foliões apaixonados pela festa carnavalesca foram aparecendo. Assis do Neguinho, também, começou a fazer os bailes na sua residência, na Rua São José. Assis colocava uma difusora que todos chamavam de “radiadora”, e sempre tocava a música: 

 "O bloco da vitória está na rua, 
Desde que o dia radiou, 
Vamos minha gente 
Pro nosso cordão, 
Que a hora da virada chegou..." 

        Nos anos 1970, o JATEC - Jaguaruana Tênis Club (na Rua Padre Rocha) foi construído por uma sociedade organizada pelos associados: José Augusto de Almeida, José Maurício Moreira, José Cláudio de Melo, entres outros cidadãos locais. No clube, começam a acontecer várias festas, sendo a principal delas, o Carnaval. As moças que frequentavam o clube tinham uma carteirinha de identificação para poder entrar na folia da noite. O principal responsável pela organização da festa era o Senhor Chico Zé de Joana. Dividido entre a festa do Bloco do Povo e a do novo clube JATEC, Salão do Povo, ele colocava o bloco em todas as festas que aconteciam no clube. Em 1985, surgiu um bloco que, também, se tornou tradicional na cidade: o Caixão Azul. Ele foi organizado pelo Professor Raimundo Sérgio de Oliveira Costa. Depois, ficou à frente o seu irmão, João Francisco. O bloco Caixão Azul permaneceu por um bom período, mas, por conta de falta de incentivo dos próprios responsáveis, ele deixou de sair pelas ruas da cidade. 

           Durante sua gestão, o prefeito Manoel Barbosa Rodrigues (1982 a 1988), o “Manezinho", decidiu realizar o primeiro Carnaval de rua da cidade de Jaguaruana, em 1986. Ele foi duramente criticado e questionado, pois já, naquela época, havia muita preocupação com a segurança e com a qualidade da festa. O Carnaval da cidade que se formava com os foliões de dentro de clubes e salões musicais, passou a ser festejado e comemorado na Praça Getúlio Vargas, em frente à Prefeitura. Mesmo com essa mudança, ainda acontecia a festa no Salão do Povo e no JATEC. E o Bloco do Povo, de Chico de Zé de Joana, continuava sendo destaque nas ruas de Jaguaruana, na Festa Carnavalesca. 

         No ano de 1996, o bloco do Chico não saiu na rua por falta de recursos e, também, porque Chico já se encontrava um pouco cansado da vida de Bandoleiro que tinha na cidade. Após alguns anos que o bloco "Caixão Azul" não saia na rua, o Senhor Padim, proprietário do 26 de Julho, outro clube da cidade, organizou uma turma no final da Av. Simão de Góis. Ele percebeu a oportunidade e saiu pela última vez no centro da cidade com o apoio da população, participantes, comerciantes e da prefeitura. Ele distribuiu até abadás com o nome do bloco. No ano seguinte, Chico de Joana colocou o povo de novo na rua com seu bloco, comemorando 47 anos de história. 

           Com a ideia do prefeito Mazinho para o Carnaval acontecer na praça principal da cidade, foram surgindo entre amigos e parceiros de músicas carnavalescas, as marchinhas e frevos executados pelas bandas Paulo do Azul; a famosa Espaço Livre; a Super Meteoro, com o vocal inconfundível do Erialdo e a tão conhecida banda Kiloucura. Durante as quatro noites na praça da prefeitura, o Carnaval de rua foi atraindo e conquistando os foliões de diferentes idades e interesses. 

         No ano 2000, Jaguaruana perdeu seu filho mais ilustre de toda a história do Carnaval da terra da rede. Faleceu o Senhor Chico Zé de Joana, o fundador do bloco mais histórico da cidade, o Bloco do Povo. Foi um ano muito triste para seus familiares e para todos aqueles que o admiravam e acompanhavam o bloco todos os anos pelas principais ruas e na avenida principal de Jaguaruana. Nesse mesmo ano, o bloco completaria seus 50 anos de resistência, de toda a garra de Chico com sua coragem, simplicidade e determinação. Todos os anos, o bloco colocava quase toda a cidade de Jaguaruana na rua para comemorar a festa carnavalesca, pois seu nome já expressava tudo. Chico dizia que era apenas o seu fundador e que o bloco era de toda a querida população de Jaguaruana que ele amava. Com sua morte, ficou a lembrança dos bailes realizados, as quermesses e festas que ele organizou no Salão do Povo. As figuras dos “papanguns” (homens e crianças fantasiados e mascarados nas ruas) ficaram na lembrança eterna de todos os foliões. 

         Nos anos 2000, começaram a aparecer algumas bandas de maior repercussão na cidade. Principalmente artistas conhecidos no meio forrezeiro e sertanejo que durante o reinado de Momo fazem uma versão elétrica de seus repertórios, adequando-os ao ritmo carnavalesco. Antes disso, eram os músicos de Jaguaruana, reunidos em uma ou no máximo duas bandas que faziam a festa inteira, tocando frevo para toda a população jaguaruanense. O Carnaval caracterizou-se como uma grande festa popular tradicional em todo o Brasil. Inovada pela Bahia, se espalhou por diversos lugares, com diversas festas carnavalescas e as famosas micaretas em trios e grandes palcos chegaram a Jaguaruana. Nas noites e tardes de Carnaval, os foliões se divertem pulando, jogando talco e bebendo, sem contar a manhã de sol e o refrescante banho oferecido pelo o Rio Jaguaribe, na barragem Serafim que fica no km 03 da Cidade.

        Com a morte de Chico Zé de Joana, o Bloco do Povo não teve mais o mesmo entusiasmo e alegria, mas a população de Jaguaruana nunca deixou a memória do Chico se apagar da história cultural e carnavalesca. A sua filha Aurinha, o seu esposo Dedé e os filhos, amigos e parceiros de luta, todos os anos persistem para manter e colocar o Bloco do Povo nas ruas do município. Era a maior felicidade de Chico conseguir colocar o bloco com uma multidão nas ruas e avenida da cidade. Após 20 anos da sua morte, neste Carnaval de 2020 o bloco vai comemorar, juntamente com toda a população, os 70 anos de sua criação, em nossa cidade, será um carnaval que vai ficar marcado na mente de todos aqueles que sempre acompanhou o bloco na rua, a memória de Chico Ze´de Joana e a Rainha do Povo Anunciata permanece vivo em cada boneco, cada estandarte, em cada sorriso que deixa o bloco mais radiante, permanece vivos durante o Reinaldo Momo, permanece em cada memória Jaguaruanense que não apaga, desde que Chico faleceu que Aurinha sua filha esposo e filhos, não deixou o Bloco se acaba na cultura Carnavalesca de Jaguaruana, todos os anos são distribuídas blusas gratuitas para todos os foliões que participa da folia, era assim que Chico fazia quando colocava o Povo na rua no Bloco que era do Povo.

Texto Mateus poeta
Reprodução de textos José Wilson Freitas
Livro Jaguaruana um Povo e Lugar 
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