Artesão do Cumbe em Aracati é destaque no Diário do Nordeste



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Artesãos cearenses criam itens de decoração inspirados na fauna local. Pássaros como carcará, asa-branca e beija-flor estão entre as principais peças produzidas. Os pássaros de Luiz Antônio Gonzaga são feitos a partir do coco e da carnaúba. (Helene Santos)

A forma como a casa é decorada reflete traços da personalidade do morador. Usar artigos oriundos do artesanato pode ser uma boa alternativa para trazer vida ao ambiente e valorizar a cultura regional. No Ceará, alguns artistas inspiram-se na fauna do Estado para criar obras decorativas e trazem diferentes aves como protagonistas.

Transformar a natureza morta em arte é um dom que o artesão Luiz Gonzaga carrega consigo. O artista recolhe raízes e troncos da carnaúba para produzir obras inspiradas na fauna da região de Aracati. Os pássaros são as principais figuras que surgem das mãos de Luiz, que utiliza também o coco para a confecção das peças.

O talento do artesão foi descoberto enquanto ele trabalhava como jardineiro na casa de um funcionário do Museu Jaguaribano de Aracati. Com o material proveniente dos coqueiros da propriedade, Luiz produziu suas primeiras peças para decorar o jardim da residência. O resultado da iniciativa foi um convite para expor no museu. Todas as criações foram vendidas e o artesão fabrica para o equipamento desde 1985.

Depois disso, os pássaros de Gonzaga já posaram até no Rio de Janeiro, em meados da década de 1990, quando ele e outros artistas cearenses expuseram na Galeria Celso Quelery. As aves de Luiz também marcaram presença na Eco 92, evento organizado pelas Nações Unidas para discutir temáticas ambientais.


O talento de Luiz começou a se manifestar na infância, quando ele fabricava os próprios carrinhos de brinquedo. (Helene Santos)

Há mais de 30 anos, Gonzaga é um dos 1.334 artesãos credenciados que recebem encomendas da Central de Artesanato do Ceará. Além do equipamento, as peças também são comercializadas no Museu Jaguaribano e no Polo de Artesanato de Aracati, podendo ser adquiridas a partir de R$ 35.

Gonzaga tem uma produção média de 30 peças por dia em parceria com o filho, David Silva, 31, que atua na pintura das obras há 5 anos. A larga escala produtiva deixa a casa da família completamente decorada com os itens nascidos da mescla dos talentos de pai e filho. "Minha mulher reclama porque eu vou botando peça, vou produzindo. Até eu fazer as entregas, coloco na casa, em tudo quanto é canto", conta Luiz aos risos.

Sertão das aves

A paixão pela arte também é algo hereditário na família do artesão Dudé. A "veia artística" começou com sua mãe, Gracinha da Costa, especialista em pintar artigos de madeira. "Eu cresci vendo minha mãe ligada às artes e à pintura. Ela teve todo o interesse e sempre me incentivou, achando que a qualquer momento isso ia deslanchar a nível nacional, e que daria para eu viver apenas da arte", relembra Dudé.


Aves regionais e de quintal estão entre as principais peças produzidas pelo artista Dudé, no município de Quixeramobim. (Helene Santos)

As raízes fincadas no sertão de Quixeramobim são as referências para as peças moldadas pelas mãos do artesão. As aves da região servem como fonte de inspiração para a produção dos artigos decorativos, que trazem vida ao ambiente residencial. Animais da fauna selvagem, alguns pássaros, a exemplo do carcará e da asa-branca, e aves de quintal são representadas nas miniaturas e ímãs de geladeira produzidos pelo artista.

O talento já era demonstrado desde a infância, com a confecção de peças de barro. Hoje, Dudé utiliza como principais materiais o biscuit e rejeitos de madeira, pequenos troncos descartados durante o processo de plantio na agricultura da região. Apesar do talento prodígio quando criança, a vida adulta o afastou da arte, fazendo-o retornar somente há 20 anos, com a venda dos seus primeiros produtos na Central de Artesanato do Ceará.

Processo

Para a confecção de suas peças, a massa de biscuit é tingida com a tinta de tecido, cuja tonalidade é escolhida de acordo com a cor da pena da ave a ser representada. Isso é feito antes da modelação das peças. Os rejeitos de madeira são lixados e serrados para servirem como a base que recebe a miniatura final.

O artesão confecciona em média 50 esculturas por dia. Os pedidos chegam a Dudé, sobretudo, por meio das redes sociais. Foi através das plataformas digitais que as aves do artesão já voaram até a Itália, Estados Unidos e Israel. Hoje, o trabalho do artista pode ser encontrado no Mercado Central de Fortaleza.

As peças podem ser utilizadas como itens decorativos de varandas e jardins, além de dar destaque nos móveis dentro da casa. Esses itens produzidos por Gonzaga e Dudé reforçam o aspecto regional quando empregados na decoração de casas nas localidades rurais e remetem a um sentimento de família e nostalgia à medida que são utilizados nas residências dos centros urbanos.

Serviço

Obras de Luiz Gonzaga
CeArt (Praça Luíza Távora - Av. Santos Dumont, 1589, Aldeota).  
Funcionamento: segunda a sábado das 8h às 19h
Contato: (85) 3101 1644

Obras de Dudé
Mercado Central (Av. Alberto Nepomuceno, 199, Centro - Loja 05: Barroso Escultura)
Funcionamento:  segunda a sexta das 8h às 18h, sábado das 8h a 17h e domingo das 8h às 13h 
Contato Dudé:  (88) 99435.8260

Por Redação, 00:00 / 14 de Janeiro de 2020 ATUALIZADO ÀS 10:25

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