Acreano suspeito de assassinar policial da reserva na comunidade do Gurguri em Fortim/CE morava com a vítima, diz filha do idoso



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Expulso da casa das vítimas, o suspeito, que chegou a trabalhar para o policial, teria matado o casal a pauladas.

O suspeito de assassinar um policial da reserva e a companheira do militar na madrugada do último sábado (18), no município de Fortim, trabalhou para a vítima e chegou a morar com o casal, antes de cometer o crime, afirma a filha do idoso, Estelânia dos Santos Stoppelli. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que dois suspeitos foram capturados. Conforme a Delegacia Regional de Aracati, pelo menos outro está foragido.

Segundo a assistente financeira, de 42 anos, o pai, Paschoal Stoppelli Neto, 77, e a madrasta, Diana Anastácio da Silva, 58, foram mortos a pauladas. Para a família, o suposto assassino havia se passado por boliviano e agiu com outros dois homens. De acordo com a Delegacia Aracati, ele é natural do Estado do Acre.

O pai, fascinado por circos, segundo Estelânia dos Santos, havia comprado a estrutura de uma pequena companhia circense em 2019, em Fortim. Ao adquirir o empreendimento, o acreano, que trabalhava montando os espetáculos, foi empregado novamente, agora por Paschoal. 

“Meu pai trabalhava na polícia, mas a grande paixão dele era o circo. Ele já teve vários circos na vida e já foi trapezista e mágico. E há alguns meses, ele comprou um circo para trabalhar no interior do Estado. O boliviano, que já fazia parte da equipe anterior, continuou empregado. Outro homem, também do antigo circo e colega do boliviano, teria sido o comparsa dele,” disse.

Após um ano de apresentações em municípios interioranos, Estelânia afirmou que o pai tinha encerrado os espetáculos e vendido parte da estrutura do circo. Desabrigado, o acreano pediu à vítima para morar com o casal. Ao conceder própria residência, o militar, que havia passado por uma cirurgia cardíaca e ortopédica, ficou aos cuidados do suspeito. 

“Ele contou uma história bonita para o meu pai. Ele disse que não tinha para onde ir, que não tinha família. Ele disse que veio da Bolívia para o Brasil clandestinamente, que a mãe estava morta. Paschoal, comovido, levou ele para casa. E ele era muito prestativo. O meu pai esteve doente e ele ficou no hospital. Deu todos os remédios.”

 Contudo, Estelânia disse que, no ano passado, há cerca de um mês, o relacionamento amigável entre o pai e o suspeito havia acabado em uma discussão entre os dois. “Ele realmente cuidou do meu pai. Mas, depois, ele começou a levar outras pessoas para casa, fazendo festas com o som muito alto e usando drogas. Meu pai, doente, disse a ele que não queria baderna lá e, ao discutirem, Paschoal mandou ele seguir o rumo dele e ir embora”, relatou.

A assistente financeira informou ainda que, ao sair da casa da vítima, o acreano pediu ajuda a uma das tias dela, alegando a vontade de voltar para o suposto país de origem. “Ele ainda foi na minha tia pedir dinheiro, porque queria voltar para casa com um amigo. Minha tia o ajudou, com pena, já que ele tinha cuidado do meu pai”, esclareceu.

No entanto, na madrugada do último sábado, o suspeito teve o último encontro com o militar, ao, de acordo com Estelânia, matar o casal a pauladas. “Como a Polícia me informou, ele foi na casa do meu pai com outras duas pessoas e, ao entrar, matou ele e minha madrasta a pauladas. Ele confessou que matou eles”, afirmou. 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o casal, abordado pelo grupo, morreu no local. Após a captura, dois dos suspeitos foram encaminhados para a Delegacia Regional de Aracati, na qual foram ouvidos. Ainda conforme a Secretaria, o carro do militar foi localizado nas proximidades da Lagoa Encantada, em Aquiraz, na manhã de sábado. Um segundo veículo também foi apreendido.

Para Estelânia, moradora do Bairro Mucuripe, em Fortaleza, o que a espantou ainda mais foi a crueldade dos suspeitos. “Eu era amiga dele, do meu pai. Ia para lá amanhã. Ainda estou em choque, sem acreditar que tudo isso aconteceu. Mas o que me abala mais foi a forma como eles foram mortos. Meu pai passou mais de um mês no hospital, entre a vida e a morte e, logo depois, ao vir para casa para se recuperar, vem um indivíduo desses e mata ele a pauladas, a ponto de partir a cabeça dele e afundar a face da minha madrasta, uma pessoa do bem. Eu só quero justiça, mais além do que já foi feito”, desabafou.

A Delegacia Regional de Aracati continua investigando o caso com o objetivo de capturar o outro suspeito.

Diário do Nordeste

Por Redação, 17:14 / 20 de Janeiro de 2020 ATUALIZADO ÀS 17:14 Publicidade